Acuracidade de estoque é o quanto o seu controle concorda com a prateleira. É o indicador mais importante de todos, porque ele não mede o estoque: mede se você pode confiar em qualquer outro número que o seu sistema mostra.
Um controle de estoque com acuracidade baixa é pior do que não ter controle nenhum. Sem controle, todo mundo sabe que precisa ir olhar no armário. Com controle errado, as pessoas confiam no número até o dia em que ele falha, e aí já é tarde.
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Começar por R$ 67 por mêsComo calcular a acuracidade de estoque
A fórmula mais usada é:
acuracidade = itens com saldo correto ÷ itens contados × 100
Você conta vinte produtos, dezessete batem com o sistema, três não batem. A acuracidade é 85%.
Essa é a leitura por quantidade de itens, e ela é incompleta sozinha. Existe uma segunda, mais útil para decidir:
acuracidade em valor = valor conferido ÷ valor registrado × 100
A diferença entre as duas conta uma história. Trinta sugadores a menos é ruído; três seringas de resina a menos é dinheiro. Uma empresa pode ter 90% de acuracidade por item e 60% em valor, e isso significa que os erros estão concentrados justamente no que é caro.
Qual número é bom
Não existe um padrão universal para empresa pequena, e quem promete um está vendendo alguma coisa. O que existe é uma faixa de leitura:
| Acuracidade | O que significa na prática |
|---|---|
| Acima de 95% | Dá para planejar compra pelo sistema sem conferir |
| 85% a 95% | Serve para o dia a dia, mas confira o item caro antes de comprar |
| 70% a 85% | O número ainda orienta, não decide. Há processo quebrado |
| Abaixo de 70% | Ninguém confia, e com razão. O controle virou enfeite |
A pergunta mais útil não é "qual o percentual aceitável", e sim a acuracidade deste mês é melhor que a do mês passado?. Tendência diz mais do que número solto, e é o que mostra se a correção que você fez funcionou.
As seis causas de acuracidade baixa
Em empresa pequena, praticamente toda divergência cai em um destes seis grupos. Reconhecer o grupo é metade da correção:
| Causa | Como ela se parece | O que corrige |
|---|---|---|
| Baixa não registrada | Sistema com mais do que a prateleira, sempre na mesma direção | Baixa no celular, na hora do uso |
| Entrada não lançada | Prateleira com mais do que o sistema | Lançar a nota na chegada, antes de guardar |
| Unidade trocada | Diferença múltipla de 10, 12 ou 100 | Padronizar a unidade de consumo no cadastro |
| Perda não registrada | Falta pequena, recorrente, nos mesmos itens | Registrar quebra e descarte como movimentação |
| Produto em dois lugares | Falta grande que "aparece" depois | Um lugar de guarda por produto |
| Cadastro duplicado | Dois códigos para o mesmo item, os dois errados | Limpeza de cadastro, e lista fechada na criação |
Repare que a palavra "roubo" não aparece. Em empresa pequena, o desvio existe mas é raro, e suspeitar dele primeiro faz duas coisas ruins: atrapalha a investigação, porque as cinco causas de processo são muito mais prováveis, e estraga a relação com a equipe. Olhe o processo antes de olhar a pessoa.
Como medir: a contagem cíclica
Medir acuracidade uma vez por ano, no inventário geral, não serve: o número chega tarde demais para corrigir qualquer coisa. O jeito que funciona é a contagem cíclica, um pedaço por vez:
- Grupo A, os itens de maior valor. Conte todo mês. Em empresa pequena costumam ser poucas dezenas, e leva menos de uma hora.
- Grupo B. A cada trimestre.
- Grupo C. Uma ou duas vezes por ano.
Com isso, a acuracidade vira um número mensal, e a diferença é encontrada em semanas, quando ainda dá para lembrar o que aconteceu. Diferença descoberta em março que nasceu em outubro é diferença que ninguém explica.
Três cuidados que mudam o resultado da contagem
- Quem conta não vê o saldo esperado. Quando a lista mostra o número do sistema, a cabeça confirma em vez de contar. É o viés mais conhecido e o mais fácil de evitar.
- Quem conta não é quem cuida daquela prateleira todo dia. Olho acostumado vê o que espera ver.
- Conte por lote, não só por produto. Total certo com lotes errados dá acuracidade alta e validade errada, que é o pior dos mundos.
O que fazer com a diferença encontrada
O reflexo é ajustar o sistema para bater com a prateleira e seguir a vida. Isso resolve o número e não resolve a causa, e por isso a diferença volta no mês seguinte.
A sequência que corrige de verdade é:
- Reconte só o que divergiu. Metade das diferenças some aqui.
- Classifique a causa em um dos seis grupos acima, antes de mexer no saldo.
- Ajuste com o motivo registrado. Quem ajustou, quando, de quanto para quanto e por quê. Ajuste sem motivo é um buraco no histórico.
- Corrija o processo, não só o número. Se a causa foi baixa não registrada, o problema não é o saldo, é onde a baixa é feita.
O caminho mais rápido para subir a acuracidade
Em quase toda empresa pequena, uma única mudança responde pela maior parte do ganho: a baixa acontecer onde o produto é usado, na hora em que é usado.
Não é questão de disciplina da equipe. É de distância. Quando a baixa exige ir até outra sala depois do atendimento, ela não acontece, e nenhuma cobrança muda isso de forma duradoura. Quando ela cabe em dois toques no celular, acontece sozinha.
Qual acuracidade de estoque perseguir
Perseguir 100% de acuracidade de estoque em todos os itens é a forma mais rápida de desanimar a equipe. O esforço de contagem cresce muito mais rápido do que o ganho, e os últimos pontos percentuais vêm dos itens que menos importam.
A meta que funciona é diferente por grupo, e segue a mesma lógica da curva ABC:
| Grupo | Meta de acuracidade | Por quê |
|---|---|---|
| A, os caros | 98% ou mais | Erro aqui vira dinheiro e vira falta |
| B, os intermediários | 95% | Equilíbrio entre esforço e risco |
| C, os baratos | 90% | Contar com precisão custa mais do que o item vale |
Há uma exceção que vale guardar: o item que para a operação quando falta entra na meta do grupo A, mesmo sendo barato. Uma peça de dois reais que impede um atendimento tem acuracidade de item caro.
Resumindo
- Acuracidade mede se dá para confiar no seu controle de estoque.
- Calcule por item e por valor: a diferença entre as duas mostra onde dói.
- Acompanhe a tendência, não o percentual isolado.
- Seis causas respondem por quase tudo, e cinco são de processo.
- Olhe o processo antes de olhar a pessoa.
- Meça por contagem cíclica: grupo A todo mês.
- Classifique a causa antes de ajustar, e registre o motivo do ajuste.
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