O controle de estoque para estúdio de tatuagem costuma ser a última coisa a entrar na rotina, e é fácil entender por quê: o estúdio começa com um tatuador, que compra o que precisa e sabe de cabeça o que tem. O problema aparece quando entra o segundo.
A partir daí, três perguntas passam a não ter resposta: quanto custou o material daquela sessão, quem gastou o quê, e de qual lote era a tinta que foi usada naquele cliente. As três são de estoque, e nenhuma delas se resolve na memória.
Pare de descobrir a falta na hora do atendimento
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Começar por R$ 67 por mêsOs dois estoques de um estúdio
Vale separar, porque eles têm donos e ritmos diferentes:
| Estoque | O que tem | O que decide a compra |
|---|---|---|
| Material de sessão | Tinta, cartucho de agulha, filme protetor, luva | Quantas sessões, e de que tamanho |
| Barreira e assepsia | Barreira de máquina, clorexidina, papel, descartáveis | Quantos atendimentos, independente do tamanho |
A confusão entre os dois é o que gera a surpresa mais comum do estúdio: sobra tinta e falta barreira, ou o contrário. Eles não andam juntos porque não dependem da mesma coisa. Uma sessão de oito horas consome tinta de verdade e uma barreira; quatro sessões pequenas consomem pouca tinta e quatro barreiras.
A unidade da tinta, que é onde o controle trava
Tinta entra em frasco de 30 ml, 120 ml ou 240 ml, e sai em mililitros, às vezes em gotas. Cadastrar em frasco é o erro que faz o controle de estoque do estúdio nascer errado: o saldo de preto fica em 5 por meses e vira 4 num dia qualquer, sem aviso nenhum pelo caminho.
Há duas saídas honestas, e a escolha depende de quanto a equipe aguenta:
- Cadastrar em mililitro e baixar por estimativa na sessão. É o mais exato. Exige que o tatuador lance quanto usou, por alto, ao fechar o atendimento.
- Cadastrar em frasco e dar baixa ao abrir. É o mais simples. O saldo mostra frascos fechados, que é o que precisa ser comprado, e o frasco aberto sai do estoque no dia em que começou a ser usado.
Para a maioria dos estúdios pequenos, a segunda resolve. Ela responde a pergunta que importa para a compra, que é quantos frascos fechados ainda existem, sem pedir à equipe um lançamento que ela não vai manter.
O lote da tinta, e por que ele é o registro mais importante daqui
Se houver uma única coisa a registrar no controle de estoque de um estúdio de tatuagem, é esta: qual lote de tinta foi usado em qual cliente.
O motivo é simples e desagradável. Reação alérgica a pigmento acontece, pode aparecer semanas depois, e a primeira pergunta é sempre sobre a tinta. Com lote registrado, o estúdio mostra qual era, de qual fornecedor, com qual nota e qual validade, e verifica se outros clientes receberam o mesmo lote.
Sem esse registro, o estúdio fica sem resposta exatamente no momento em que precisa de uma, e a conversa deixa de ser técnica. O custo de anotar o lote é de segundos; o de não anotar só aparece uma vez, e aparece inteiro.
Vale lembrar que tinta tem validade, e que tinta vencida é descarte, não é desconto. O controle de validade por lote é o que impede o frasco do fundo da gaveta de voltar para a bancada.
O custo por sessão, que muda o orçamento
Com valor unitário nas entradas, o estúdio consegue responder quanto de material cada sessão consome. A conta é direta:
custo da sessão = tinta usada + cartuchos + barreira e assepsia + filme e pós-tatuagem
Duas coisas costumam aparecer na primeira vez que o estúdio faz essa conta:
- O cartucho pesa mais do que a tinta. Uma sessão que troca de traço várias vezes gasta cinco ou seis cartuchos, e eles custam mais do que o pigmento consumido.
- A sessão curta é a menos lucrativa. Barreira, luva, clorexidina e filme são praticamente os mesmos numa sessão de uma hora e numa de seis. O custo fixo de atendimento não acompanha o tamanho do trabalho.
A segunda conclusão costuma mudar a tabela de preço do estúdio, com um valor mínimo de sessão que antes parecia agressivo e passa a ser apenas realista.
Quando o tatuador é autônomo
Em boa parte dos estúdios, cada tatuador compra o próprio material e paga uma porcentagem ou um aluguel de cadeira. Isso não dispensa o controle de estoque: muda o que ele controla.
O arranjo que funciona separa as duas coisas:
- O que é da casa fica no estoque da casa. Barreira, assepsia, papel, luva, descartáveis. Baixa por atendimento, com o nome de quem pegou.
- O material pessoal fica de fora do saldo. O que não dispensa registrar o lote da tinta usada, porque a responsabilidade sanitária do atendimento é do estúdio, não só de quem tatuou.
Com o material da casa registrado por pessoa, a conversa sobre consumo deixa de ser impressão. Fica claro quem usa mais barreira, e quase sempre há uma explicação boa: mais atendimentos, sessões mais longas, mais troca.
O que a vigilância sanitária costuma perguntar
Estúdio de tatuagem é estabelecimento sujeito a inspeção, e as perguntas que tocam o estoque são previsíveis:
- Há produto vencido guardado, tinta inclusive?
- Qual o destino do que venceu, e onde está registrado?
- De onde veio este produto, com nota e lote?
- O material de barreira é descartável e de uso único?
As três primeiras são exatamente o que um controle de estoque com lote, validade e baixa de descarte responde sem preparação nenhuma. A inspeção deixa de ser evento temido e vira conferência.
O estoque mínimo de um estúdio
O cálculo é o de sempre, com uma distinção que vale guardar: separe o que para o atendimento do que apenas limita o trabalho.
Faltar barreira, luva ou clorexidina cancela a sessão. Esses entram com fator 2. Faltar um tom específico de cinza atrapalha e quase nunca cancela: fator 1,5 resolve.
Resumindo: o controle de estoque de estúdio de tatuagem
- Separe material de sessão de barreira e assepsia: eles não andam juntos.
- Tinta em frasco, com baixa ao abrir, é o que a equipe mantém.
- Lote da tinta por cliente é o registro mais importante do estúdio.
- Tinta vence: controle validade por lote e registre o descarte.
- O custo por sessão mostra que a sessão curta é a menos lucrativa.
- Com tatuador autônomo, o material da casa continua sendo da casa, com baixa por pessoa.
- Fator 2 no mínimo do que cancela sessão; 1,5 no resto.
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