O controle de estoque para laboratório de análises clínicas tem uma particularidade que confunde quem tenta resolver com uma planilha comum: o que você compra não é o que você consome. Você compra kit, e consome teste.
Um kit de glicose para 500 testes é uma caixa só no cadastro e quinhentas saídas na bancada. Enquanto o controle de estoque do laboratório não enxergar essa diferença, o saldo não serve para nada, o reagente acaba no meio da rotina e o custo por exame continua sendo chute.
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Começar por R$ 67 por mêsKit, teste e a unidade que resolve
A primeira decisão do controle de estoque de um laboratório é em que unidade cada reagente é cadastrado. A resposta prática separa os reagentes em dois grupos:
| Tipo | Unidade de cadastro | Por quê |
|---|---|---|
| Kit fechado com número de testes | Teste | É assim que ele é consumido, e é assim que o mínimo faz sentido |
| Reagente a granel, galão ou frasco | Mililitro | O consumo por exame é em volume, não em frasco |
| Tubo, agulha, escalpe, ponteira | Unidade | Sai um por coleta, mesmo entrando em caixa de mil |
| Soro controle | Frasco | Sai inteiro por rodada de calibração |
Cadastrado em teste, um kit de 500 entra como 500. O estoque mínimo de 300 testes passa a avisar quando ainda há margem para comprar, e não quando a última caixa foi aberta.
A validade depois de aberto, que é a regra do laboratório
Reagente tem duas validades, e a segunda é a que importa na rotina. A do fabricante está na caixa. A validade depois de aberto está na bula, costuma ser de semanas, e é ela que decide se o resultado sai confiável.
Um laboratório que controla só a validade da caixa descobre o problema do jeito pior: pelo controle de qualidade fora da faixa, no meio da rotina, com amostra na bancada.
No controle de estoque isso se resolve tratando a abertura como um lote novo: na hora de abrir o frasco, registre a data e a validade interna. O que vence passa a ser o aberto, que é o que a equipe precisa usar primeiro.
Para o que exige refrigeração, vale lembrar que a cadeia de frio tem registro próprio, de temperatura, e o controle de estoque não substitui esse registro. Ele responde quanto tem e o que vence; o termômetro responde se continua bom.
Lote de reagente e repetição de exame
A rastreabilidade de lote no laboratório serve a uma pergunta específica, e ela aparece sempre no pior momento: quais resultados saíram com este lote de reagente?
Ela chega quando o controle interno de qualidade acusa desvio, quando o fabricante emite um alerta sobre um lote, ou quando um resultado é questionado pelo médico. Com o lote registrado na entrada e na saída, a resposta é uma lista. Sem ele, a resposta é repetir tudo o que foi feito no período, por precaução.
A diferença entre as duas situações é de horas de bancada e de reagente gasto de novo. Registrar lote custa cinco segundos por entrada.
O custo por exame, que quase nenhum laboratório pequeno calcula
Com reagente cadastrado em teste e valor unitário na entrada, o laboratório consegue responder quanto custa cada exame em insumo. A conta soma três parcelas:
custo do exame = reagente por teste + material de coleta + a parte do controle de qualidade
A terceira parcela é a esquecida. Todo dia saem frascos de soro controle que não pertencem a nenhum paciente, e eles são caros. Diluído pela quantidade de exames do dia, esse custo é pequeno; num dia de pouco movimento, ele é enorme.
É daí que sai a conclusão mais útil desse número: exame de baixo volume custa mais do que parece, porque o controle de qualidade é o mesmo, com ou sem demanda. Saber disso muda a decisão de continuar fazendo o exame na casa ou terceirizar.
Quem dá baixa num laboratório, e por que isso trava
Esta é a parte que derruba o controle de estoque em quase todo laboratório pequeno: ninguém vai parar no meio da rotina para lançar que usou um tubo.
Dois arranjos funcionam, e eles podem conviver:
- Baixa por lote de trabalho. Ao fechar a rodada, quem operou registra quantos testes saíram de cada kit. É um lançamento por rodada, não por amostra.
- Requisição por setor. A coleta pede tubos e agulhas ao estoque, e a baixa acontece na entrega. O consumo por setor aparece de quebra.
O que não funciona é pedir lançamento por amostra. Ninguém mantém, e um controle que ninguém mantém é pior do que nenhum, porque gera um número em que as pessoas ainda confiam.
O estoque mínimo de um laboratório
O cálculo é o mesmo de qualquer lugar, com um detalhe que muda bastante aqui:
mínimo = testes por dia × prazo do fornecedor × 1,5
O detalhe é o fator. Para reagente de exame de rotina, 1,5 basta. Para reagente de exame que não tem substituto e para soro controle, use 2: ficar sem controle é ficar sem poder liberar resultado, mesmo com reagente na casa.
E vale separar o material de coleta, que tem outro ritmo. Tubo e agulha não vencem rápido, custam pouco por unidade e param a coleta inteira quando faltam. É o caso clássico de comprar mais de uma vez só e dormir tranquilo.
Os três relatórios que mudam a compra
- O que vence em 60 dias, por lote, incluindo os abertos. É a maior parcela de perda de um laboratório.
- Testes consumidos por exame, nos últimos 90 dias. Mostra qual exame cresceu, qual encolheu, e onde o mínimo está errado.
- Valor parado por reagente. Reagente caro com pouco giro é a combinação que mais prende dinheiro em laboratório pequeno.
Resumindo: o controle de estoque de laboratório
- Cadastre kit em teste e granel em mililitro, não em caixa.
- Abrir um frasco é criar um lote novo, com a validade de aberto.
- Lote na entrada e na saída: é o que responde quais exames usaram cada lote.
- O custo do exame inclui o controle de qualidade, e ele pesa no exame de baixo volume.
- Baixa por rodada ou por requisição de setor, nunca por amostra.
- Mínimo com fator 2 para reagente sem substituto e para soro controle.
- A cadeia de frio tem registro próprio: o estoque não substitui o termômetro.
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