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Giro de estoque: como calcular

Quantas vezes por ano o dinheiro da prateleira vira receita e volta.

Relatórios do EstoqueOn com o consumo do período, usado no cálculo do giro

Giro de estoque é a conta que responde uma pergunta que quase nenhum dono de empresa pequena sabe responder: quantas vezes por ano o dinheiro que está na prateleira se transforma em receita e volta.

É um número simples de calcular e desconfortável de ver pela primeira vez. Quem calcula o giro de estoque costuma descobrir que tem bem mais dinheiro parado do que imaginava, e que boa parte dele está em poucos itens.

Pare de descobrir a falta na hora do atendimento

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Como calcular o giro de estoque

A fórmula é esta:

giro de estoque = consumo do período ÷ estoque médio do período

Em empresa que vende, o numerador é o custo das mercadorias vendidas. Em empresa de serviço, que é o caso de clínica, salão e oficina, o numerador é o custo do que foi consumido: o valor do material que saiu do estoque e entrou nos atendimentos.

O estoque médio é a média entre o valor no começo e no fim do período. Se você tinha R$ 12.000 em janeiro e R$ 8.000 em dezembro, o estoque médio do ano foi R$ 10.000.

Um exemplo com números

Uma clínica consumiu R$ 60.000 em material no ano. O estoque médio dela foi R$ 10.000.

60.000 ÷ 10.000 = giro de 6.

O estoque dela girou seis vezes no ano. Dividindo 365 por 6, chega-se ao outro número, que costuma ser mais fácil de entender:

cobertura = 365 ÷ giro = 61 dias

Ou seja: o que está na prateleira hoje dá para cerca de dois meses de operação. Essa é a leitura que vale levar para a reunião.

Giro alto ou baixo: qual é o bom

Não existe número universal, e quem promete um está vendendo alguma coisa. O giro bom depende do prazo do seu fornecedor e do risco de faltar. O que existe é uma leitura:

Giro Cobertura O que isso costuma significar
12 ou mais 30 dias ou menos Estoque enxuto. Cuidado com ruptura se o fornecedor atrasar.
6 a 12 30 a 60 dias Confortável para a maioria dos negócios de serviço.
3 a 6 60 a 120 dias Há dinheiro parado a mais. Vale olhar item a item.
Menos de 3 Mais de 120 dias Compra muito acima do consumo, ou itens encalhados puxando a média.

Giro muito alto também tem custo, e esse é o lado que raramente se discute: estoque enxuto demais significa comprar mais vezes, pagar mais frete e ficar exposto a qualquer atraso do fornecedor. A busca não é pelo giro máximo, é pelo giro que você consegue sustentar sem faltar.

O giro médio esconde o problema

Esta é a parte mais útil do texto. O giro de estoque da empresa inteira é um número quase inútil sozinho, porque ele é uma média, e médias escondem exatamente o que você precisa ver.

Uma clínica com giro 6 pode ter metade dos itens girando 20 e a outra metade girando 1. O número da empresa está bom; metade do dinheiro está congelada.

O jeito certo é calcular o giro por produto, ou pelo menos por categoria. É a mesma conta, aplicada item a item:

Produto Consumo no ano Estoque médio Giro Cobertura
Luva de procedimento R$ 9.600 R$ 600 16 23 dias
Resina composta R$ 14.400 R$ 2.400 6 61 dias
Cimento especial R$ 900 R$ 1.800 0,5 730 dias

Olhe a última linha. Esse produto tem dois anos de cobertura: a empresa comprou o dobro do que consome em um ano inteiro. É o tipo de compra que nasce de promoção, de medo de faltar ou de um caso que não se repetiu. E é onde o dinheiro está preso.

Giro e validade: a combinação que dói

Em qualquer negócio com produto que vence, o giro de estoque deixa de ser só uma questão de capital e vira risco direto de perda.

A regra de bolso é simples: a cobertura de um item não pode ser maior do que a validade dele. Se um produto tem 180 dias de prazo e a sua cobertura é de 240 dias, parte daquele lote vai vencer na prateleira, matematicamente, por mais cuidadoso que seja o uso.

Essa comparação, cobertura contra validade, é uma das análises mais rápidas e mais rentáveis que se pode fazer num estoque pequeno. Leva minutos e aponta exatamente o que parar de comprar.

Como aumentar o giro sem passar a faltar

Quatro movimentos, em ordem de retorno:

Com que frequência olhar

Uma vez por trimestre para a empresa inteira, e uma vez por semestre item a item. Mais do que isso vira trabalho sem decisão, porque o giro de estoque muda devagar.

A exceção é quando algo muda de verdade: serviço novo, fornecedor novo ou mudança grande de movimento. Aí vale refazer a conta, porque as três coisas mexem no consumo e no prazo ao mesmo tempo.

Giro de estoque alto demais também é problema

Como o giro de estoque baixo é o problema mais comum, quase todo texto trata giro alto como vitória. Não é sempre. Giro muito acima do normal do seu setor costuma significar que você está trabalhando com estoque curto, e estoque curto cobra em outro lugar.

Os sinais de que o giro subiu demais são três, e todos aparecem fora do cálculo do giro:

Por isso o giro de estoque nunca deve ser lido sozinho. Ele responde se o dinheiro está girando, e não se a operação está segura. A leitura certa é o giro ao lado da ruptura: giro subindo com ruptura em zero é eficiência de verdade; giro subindo com ruptura subindo é estoque insuficiente se disfarçando de bom indicador.

Resumindo

Veja hoje quanto você tem parado

Você manda a última nota do fornecedor e em 20 minutos o sistema mostra o valor do seu estoque, o que está vencendo e o que precisa comprar.

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