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Ponto de pedido e estoque de segurança

Dois números que quase todo mundo trata como um só, e o prejuízo que isso gera nas duas direções.

Tela de alertas do EstoqueOn, com os produtos que cruzaram o ponto de pedido

Ponto de pedido e estoque de segurança são dois números diferentes que quase todo mundo trata como um só. Misturá-los é a causa mais comum de duas coisas opostas acontecerem na mesma empresa: faltar material e, ao mesmo tempo, ter dinheiro demais parado na prateleira.

Este texto separa os dois, mostra como calcular cada um com números que você já tem, e diz o que fazer quando o consumo é irregular, que é o caso de quase todo negócio de serviço.

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A diferença, em uma frase cada

Em outras palavras: o estoque de segurança é uma quantidade que fica guardada. O ponto de pedido é um aviso. O primeiro protege; o segundo dispara.

Como calcular o estoque de segurança

Existe uma fórmula estatística para isso, com desvio padrão e nível de serviço. Ela é correta e é excessiva para um consultório, um salão ou uma oficina. A versão que funciona na prática é:

estoque de segurança = consumo por dia × dias de atraso que você aceita absorver

A pergunta a se fazer não é estatística, é operacional: se o fornecedor atrasar, quantos dias eu preciso aguentar sem parar? Para a maioria dos itens, três a cinco dias. Para o que para o atendimento quando falta, sete a dez.

Item Consumo por dia Dias de folga Estoque de segurança
Luva de procedimento 8,5 4 34 unidades
Anestésico 12 10 120 tubetes
Resina composta 0,3 7 3 seringas

Repare que os dias de folga do anestésico são maiores. Não é porque ele é caro: é porque sem ele o atendimento para. O critério do estoque de segurança é consequência da falta, não preço.

Como calcular o ponto de pedido

O ponto de pedido é o consumo do período de entrega mais o estoque de segurança:

ponto de pedido = (consumo por dia × prazo de entrega) + estoque de segurança

O prazo de entrega aqui é o real, medido do dia em que você manda o pedido ao dia em que a caixa chega. Inclui o tempo que o fornecedor leva para responder, o fim de semana no meio e o transporte. Não é o prazo que ele promete.

Item Consumo no prazo Segurança Ponto de pedido
Luva, prazo 7 dias 60 34 94 unidades
Anestésico, prazo 10 dias 120 120 240 tubetes
Resina, prazo 15 dias 4,5 3 8 seringas

Quando o saldo da luva chega a 94, é hora de comprar. Nos sete dias de espera você consome 60, chega a 34, e a caixa nova encontra o estoque de segurança intacto. Foi para isso que ele existe.

Por que misturar os dois dá prejuízo nas duas direções

A confusão clássica é definir "estoque mínimo: 100 luvas" e tratar esse número como as duas coisas ao mesmo tempo. Os dois jeitos de errar aparecem:

É o segundo erro que gera a frase mais ouvida em estoque de empresa pequena: "mas eu tinha definido o mínimo e faltou do mesmo jeito".

Quando o consumo é irregular

Em negócio de serviço, o consumo segue a agenda, e a agenda oscila. Três ajustes resolvem a maior parte dos casos sem recorrer a estatística:

O ponto de pedido só serve se alguém for avisado

Esta é a parte em que quase todo cálculo de ponto de pedido morre. Definir o número é a parte fácil, e ela não vale nada se depender de alguém abrir um relatório para comparar o saldo com ele.

Um ponto de pedido que vive numa planilha fechada é um número bonito. Ele passa a valer quando o aviso chega sozinho, com a conta já feita: quanto falta, quanto costuma ser pedido e de qual fornecedor. Aí a compra vira uma decisão de trinta segundos.

Revisar: quando e por quê

Duas vezes por ano resolve a maior parte dos casos. Fora do calendário, três situações pedem revisão imediata do ponto de pedido:

Quando o fornecedor tem pedido mínimo

Há uma situação que a conta de ponto de pedido não resolve sozinha e que é muito comum em empresa pequena: o fornecedor só entrega acima de um valor, ou só vende a caixa fechada.

Nesse caso o ponto de pedido continua certo, e o que muda é a quantidade comprada. O ponto de pedido diz quando pedir; o mínimo do fornecedor diz quanto. Misturar os dois é o que leva à compra grande cedo demais, que é capital parado, ou à compra pequena que não é aceita.

O jeito prático de conviver com isso é agrupar: quando um item atinge o ponto de pedido, olhe o que mais daquele mesmo fornecedor está na metade do caminho e complete o pedido mínimo com esses. Você compra um pouco antes do necessário em alguns itens e evita comprar muito antes em todos.

E se um único item caro é que obriga a caixa fechada, vale o caminho inverso: negociar fracionamento ou procurar um segundo fornecedor para ele. O estoque de segurança não deve ser definido pela embalagem do fornecedor.

Resumindo

Veja hoje quanto você tem parado

Você manda a última nota do fornecedor e em 20 minutos o sistema mostra o valor do seu estoque, o que está vencendo e o que precisa comprar.

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